O Núcleo da Vida — Tomando Consciência

O Núcleo da Vida · Capítulo 9

Tomando Consciência

Paul J. Bucknell

Tendo exposto como o Espírito geralmente opera, precisamos agora olhar para a Sua obra de um ponto de vista pessoal. Mais adiante, na última seção do livro, veremos ainda outro ângulo: o ponto de vista do educador ou treinador.

Na vida física, muitas vezes não temos consciência da presença da vida. Embora impulsionados e totalmente afetados por essa poderosa força de vida, de alguma forma permanecemos alheios às suas propriedades vivificantes de cada dia.

Alheios à vida

Na puberdade, os rapazes e as moças ficam muito conscientes das mudanças pelas quais os seus corpos estão passando. Embora deem plena atenção a esses corpos e interesses em transformação, quase nunca pensam na vida que produz essas mudanças. Como resultado, os jovens tendem a prestar muita atenção em quem eles são. Mais tarde na vida, as pessoas tendem a se concentrar mais no que elas têm. Poucos, porém, contemplam a razão pela qual conseguem crescer até a idade adulta ou, depois, conseguir um emprego. A correria do dia a dia

Ilustração do capítulo 9: Tomando Consciência

mascara a nossa compreensão e consciência das nossas vidas física e espiritual.

A nossa ignorância e falta de atenção à vida de Deus — o sopro todopoderoso que Ele soprou em nós — nos torna ingratos diante do mistério da vida. A ingratidão leva a uma vida autônoma, que, por sua vez, gera um senso de arrogância.

Esse é o pulso da era materialista e secular de hoje. Com a crença de que tudo se define por substâncias químicas e matéria, já não existe o impulso de olhar para o poder que está por trás das suas vidas. As pessoas facilmente bloqueiam os pensamentos sobre o envolvimento de Deus nos assuntos deste mundo, embora dependam literalmente dEle para tudo o que têm.

Um problema espiritual oculto

Essa ignorância afetou também a igreja, mas em outro nível. Estamos desatentos à força vivificante por trás das nossas vidas espirituais. Tendemos a nos concentrar muito mais no que podemos ver e tocar do que naquilo que possibilita a nossa visão e a nossa devoção.

Houve mover de Deus durante a minha vida que renovou a igreja. O livro Body Life (Vida do Corpo), de Ray Stedman, tornou o povo de Deus consciente dos dons espirituais, bem como do Espírito de Deus que capacita o Seu povo com esses dons. A conexão entre os dois era prática e teologicamente correta. O povo de Deus foi abençoado, mas esse breve desenvolvimento foi curto e ficou escondido atrás de outros desenvolvimentos teológicos.

O movimento carismático, de forma semelhante, conectou os dons espirituais ao Espírito Santo, mas se expandiu em uma grande faixa que se estende pelo globo. As pessoas começaram a ter estudos bíblicos e reuniões de oração até em igrejas sem vida. Independentemente da visão que se tenha desses dons — e certamente houve, em alguns lugares, uma ênfase exagerada nos sinais —, essa atenção renovada à obra do Espírito em nossa vida trouxe vida de volta a igrejas e organizações mortas.

Quanto mais desconectamos das nossas vidas cristãs a consciência do Espírito vivo de Deus que habita em nós, mais espiritualmente mortos nos tornaremos. Saber sobre uma igreja não nos torna membros dela, nem saber muito sobre Deus nos faz conhecer a Deus. É bom sabermos essas coisas, mas negligenciar a ênfase no lugar central de Deus em nossas vidas ou em nosso treinamento pode se tornar uma grande pedra de tropeço. Essa cegueira espiritual se chama incredulidade e sempre nos impede de garantir a vitória.

Os avivamentos de outrora

Os avivamentos do passado restauraram essa consciência da presença de Deus. As pessoas admitiam humildemente que não eram as suas grandes tentativas de conhecer a Deus, mas o Espírito de Deus operando nelas e por meio delas que fazia tamanha diferença em suas vidas. Essa consciência do Espírito de Deus agindo ativamente por meio das nossas vidas permanece fundamental. Quando ignorada, surgem distorções, incluindo religiosidade, orgulho teológico, tédio espiritual e padrões morais rebaixados. Todas elas resultam de não se ter clareza sobre como Deus opera em nossas vidas e por meio delas.

A crença resultante acaba sendo prima do humanismo religioso. O foco está no esforço e no pensamento do homem, e não em Deus. É exatamente isso que vemos em nosso mundo “antropocêntrico” (literalmente, centrado no homem) de hoje.

Ateísmo prático

Tenho usado o termo “ateísmo prático” para descrever crentes que conduzem a sua vida cristã sem consciência da presença de Deus. O salmista advertiu o povo de Deus a não viver como as pessoas movidas pelos seus apetites — como os animais do campo. “O homem em posição de honra que não tem entendimento é semelhante aos animais, que perecem.” (Salmo 49:20).

Os cristãos correm um grande perigo de viver sem uma verdadeira consciência da presença de Deus animando as suas vidas. Deus está por trás dos bastidores, mas o crente pode seguir em frente sem nenhuma consciência real disso. O mesmo vale para os que servem a Deus. Eles

podem pregar, ensinar e evangelizar sem perceber a obra interior do Espírito. Devemos perguntar: “Deus faz realmente parte do seu sistema de crenças?” As suas atividades religiosas podem ser realizadas sem Deus? Se sim, isso não revela a sua verdadeira identidade: obra de homem, e não de Deus?

Essa consciência constante da obra de Deus no crente — pense em fé — precisa retornar à igreja. Não se trata apenas de uma pessoa contribuir, ir à igreja ou ajudar os pobres. Vivemos na presença de Deus, e Ele está cumprindo os Seus bons propósitos por meio das nossas vidas.

Disse o tolo em seu coração: “O tolo diz em seu coração: Não há Deus. Eles têm se pervertido, fazem obras abomináveis; não há quem faça o bem. O SENHOR olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia alguém prudente, que buscasse a Deus. Todos se desviaram, juntamente se contaminaram; não há quem faça o bem, nem um sequer. Será que não têm conhecimento todos os que praticam a maldade? Eles devoram a meu povo como se comessem pão, e não clamam ao SENHOR.”. Corromperam-se, cometeram obras abomináveis; não há quem faça o bem. O SENHOR olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento, que buscasse a Deus. Todos se desviaram; juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há sequer um. Acaso não têm conhecimento todos os que praticam a maldade, que devoram o meu povo como quem come pão, e não invocam o SENHOR? (Salmo 14:1-4).

Buscando a Sua presença

O avivamento vem nos momentos em que estamos novamente dispostos a restaurar o devido lugar de Deus em nossas vidas. Enquanto somos autossuficientes, operamos a partir dos nossos próprios recursos, e pouca ou nenhuma glória vai para Deus. Quando, porém, ficamos desesperados, clamamos a Ele. Quando tomamos consciência da Sua presença e experimentamos a Sua resposta à oração, então começa a verdadeira adoração.

É assim que Deus usa os tempos difíceis em nossas vidas para nos rejuvenescer (Salmo 119:23-24). O que aconteceria, porém, se buscássemos regularmente a Sua face, em vez de precisarmos ser cutucados e espicaçados pelas provações?

A nossa sociedade como um todo começou a pensar na vida como se Deus não estivesse agindo. Esse mesmo pensamento mundano se infiltrou na igreja, onde vemos cada vez menos diferença entre o mundo e o crente professo.

Lições

Memorize e Medite

Salmo 14:1-2

Filipenses 3:17-19

Tarefa