
O Núcleo da Vida · Capítulo 17
O Crente Maduro — Estágio 3
João descreve com perspicácia esse terceiro e último estágio como o dos “pais”. Embora possa haver alguma imprecisão sobre quando alguém se torna “jovem”, a paternidade é muito mais clara. Pais têm filhos.
O nosso mundo moderno destruiu a facilidade e o prazer de discutir a vida como Deus a organizou, por causa do politicamente correto. Se conseguirmos superar isso e simplesmente pensar em nossas próprias famílias, poderemos adquirir muita compreensão sobre os objetivos espirituais de Deus para cada crente. Por quê? Porque cada um de nós teve um pai! Os nossos pais, porém, não foram necessariamente bons pais. Na verdade, nos seminários que realizo, constato que não há muitos crentes que tiveram bons pais. E, mesmo quando afirmam ter tido um bom pai, não têm uma compreensão clara do que é um bom pai.
Os objetivos de Deus para nós
Há três aspectos distintivos do estágio do crente maduro:
- (1) Deus quer levar todos nós adiante, até esse terceiro e último estágio do desenvolvimento espiritual.
- (2) Deus quer que cada um de nós conduza outros a uma nova vida espiritual.
- (3) O Senhor deseja que cuidemos com responsabilidade dos que ganham vida espiritual ao nosso redor.

O projeto
Primeiro, o Senhor deseja — e assim o projetou — que cada um de nós avance rumo à maturidade espiritual. “até que todos cheguemos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, à maturidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo.” (Efésios 4:13).
O estágio de “filhinho” é um estágio gracioso, mas não é o objetivo. Nem o estágio do jovem. Eles ainda estão em treinamento para o que Deus tem para eles. O apóstolo Paulo define esse estágio de “pai” como uma pessoa madura (não gorducha, mas espiritualmente madura), com a plenitude de Cristo. As marcas de Jesus Cristo devem ser claramente vistas em nossas vidas.
Embora Paulo use “pais” aqui, é óbvio que ele, assim como João, não está falando apenas do desenvolvimento espiritual dos homens, mas também das mulheres. Espera-se que todos os crentes, de todo país e cultura, cresçam à semelhança de Cristo nesta era.
Para crescer, precisamos captar a visão do que Deus tem para nós. Isso requer fé. O nosso raciocínio pode ser assim: “Se o Senhor quer que cresçamos, isso significa que Ele fez com que pudéssemos crescer”. Essas são verdades que edificam a fé (na verdade, toda verdade, corretamente aprendida, edifica a fé). Uma vez que sabemos que todos os crentes foram destinados a crescer à imagem de Cristo enquanto estão na terra, temos de concordar com o fato de que Deus fez com que pudéssemos crescer — não importa quais obstáculos enfrentemos. Não há razões válidas para fugir desse caminho de crescimento.
Pensando nos outros
Segundo, o Senhor projetou as coisas de modo que os maduros gerem nova vida. Esses são os fatos da vida, não são? O nosso mundo rejeitou a vida e distorceu de forma lamentável esse retrato da procriação. Mas pense numa pessoa que cresce e encontra alguém excelente para casar. Eles então aspiram a ter filhos. Esses desejos estão embutidos em nós. Quando os pais têm dificuldade para ter filhos, isso se torna muito difícil para eles.
Espiritualmente falando, nunca devemos nos esquecer da nossa responsabilidade de compartilhar o evangelho e conduzir outros a um relacionamento com Deus por meio de Jesus Cristo. Quando os trazemos para esse novo relacionamento, torna-se nossa responsabilidade cuidar deles. Nem todos somos pregadores ou mestres da Palavra de Deus, mas cada pessoa deve assumir o encargo de buscar a salvação e o crescimento dos que estão ao seu redor. (Às vezes, pedimos a outra pessoa mais apropriada que cuide de um novo crente.)
Cuidado espiritual
Por fim, devemos exercer cuidado espiritual pelos que estão ao nosso redor. Devemos ajudar aqueles que conduzimos ao Senhor, mas também somos responsáveis por ministrar àqueles que Deus traz para as nossas vidas.
Neste mundo móvel, com pessoas mudando de emprego regularmente, os cristãos estão se deslocando pelo mundo num ritmo vertiginoso. Crentes de outras partes do país ou do mundo podem estar morando perto de nós. Precisamos procurar deliberadamente oportunidades de servir aos outros. Não fazemos isso por orgulho, pois esse é o meio de Deus para cuidar das Suas ovelhas. Ele usa crentes mais maduros para cuidar dos cordeirinhos espiritualmente mais novos.
Em muitos países, doenças e desastres estão criando órfãos incontáveis. É comovente ver quantas igrejas e pastores têm se disposto a adotar essas crianças. Mesmo não tendo comida suficiente para as próprias famílias, eles cuidam laboriosamente desses negligenciados.
De maneira semelhante, precisamos fazer o nosso trabalho como igreja, garantindo que todos estejam sendo “apaternados”, isto é, que alguém esteja cuidando espiritualmente deles. Esse é o Espírito lembrando o Seu povo do encargo de Deus de fazer discípulos. O discipulado reflete diretamente o amor e o cuidado de Deus pelo desenvolvimento dos crentes. O desenvolvimento de pequenos grupos em muitas igrejas pode ajudar muito nesse processo, mas sempre haverá alguns que não se encaixam nos nossos programas. Estejamos atentos às suas necessidades.
Que vergonha se um pai, por buscar o próprio conforto, ignora a necessidade dos seus filhos. Isso é errado.
Sob uma luz positiva, cuidar dos outros é a grande oportunidade de Deus para transferir o Seu amor e a Sua sabedoria a outras pessoas. Para os homens, isso incluirá a disposição de assumir posições de liderança na igreja. Isso também incluirá mentorias especiais para casais, uma irmã com outra irmã, um homem com outro homem. Preste atenção às necessidades dos que estão ao seu redor. Pode ser que Deus queira usar você para ajudá-los a crescer.
Lições
- Os “pais” são crentes maduros que superaram as lutas do crente jovem e conseguem concentrar o seu cuidado nos outros.
- O povo de Deus pode e deve crescer até a plena maturidade em Cristo.
- Somos responsáveis por transmitir aos outros a verdade de Deus sobre a vida e por cuidar do seu desenvolvimento espiritual.
Memorize e Medite
Efésios 4:13
Tarefa
- Há quanto tempo você é seguidor de Jesus? Você é um “pai” espiritual?
- Você já cuidou de crentes mais novos em Cristo? Como foi? Como poderia ter sido melhor?
- Há alguém ao seu redor de quem você está cuidando agora?