
O Núcleo da Vida · Capítulo 31
Acompanhando os Crentes em Amadurecimento
Amadurecimento
Um dos maiores desafios para pensar corretamente sobre esse terceiro estágio do crescimento espiritual, descrito por João como o dos “pais”, é que se tornou culturalmente impróprio descrever a si mesmo como um crente maduro. Essa mentalidade retrata um falso senso de humildade e impede o povo de Deus de ter uma abordagem bíblica da vida, tão necessária. Você conhece algum pai que negue ser pai? “Ah, você acha? Mas eu, na verdade, não sou pai.” Essa cena é ridícula (especialmente quando você vê os dois filhinhos dele puxando as suas calças, pedindo alguma coisa). Ser pai é um estágio normal da vida; não há do que se envergonhar.
Lidando corretamente com o orgulho
Os problemas do orgulho e a armadilha de pensar que “já chegamos lá” são, certamente, um grande problema; mas, se olharmos corretamente para o estágio do pai, descobriremos que a perspectiva bíblica tem a sua própria maneira de lidar com o orgulho.
A comparação é um problema da humanidade pecadora. A tendência orgulhosa do homem é pensar que ele, ou ela, é melhor do que os outros. A visão bíblica, porém, nos leva a:
- (1) Adotar cada vez mais os padrões e objetivos de Deus;
- (2) Buscar a Deus para que Ele nos mentoreie continuamente na piedade; e

- (3) Ser treinados para ajudar melhor os que estão ao nosso redor. Você consegue ver a diferença? Ao buscar o crescimento, admitimos que temos espaço para crescer e amadurecer mais. Ao nos concentrarmos em servir os outros, já não nos comparamos a eles. Esse é o espírito correto por trás desse terceiro estágio, o dos pais espirituais. Se algo devemos fazer, é clamar pelos muitos cristãos ao nosso redor que não se tornaram pais, mas ficaram enredados em algum ponto do caminho.
Jesus disse que é bom e correto pensar em si mesmo como maduro. “Porque a terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois a espiga, e por último o grão cheio na espiga” (Marcos 4:28). Esse último estágio é onde devemos esperar dar fruto. Em contraste, quão trágicas são as nossas vidas quando não produzimos fruto piedoso por causa da autoindulgência — talvez desperdiçando tempo assistindo a vídeos ou jogando. Não há, talvez, pecado maior do que o de um pai que ignora as necessidades dos filhos enquanto usa o seu dinheiro e o seu tempo para se presentear com luxos. Isso acontece — mas que caso trágico.
No primeiro estágio, vimos como a criancinha era muito dependente dos pais, até para as necessidades básicas da vida. Da mesma forma, achamos absolutamente apropriado que cada crente cresça em Cristo até a maturidade, quando conduz outros a Cristo e os ajuda na sua caminhada espiritual. Se ninguém cuidar dos crentes novos e jovens, eles vacilarão na fé. Esse é o espírito da paternidade — cuidar dos que estão ao seu redor e, no mínimo, daqueles que você conduziu a Cristo.
Esse terceiro estágio é onde treinamos os crentes para aprender a cuidar devidamente dos outros. Incluído nesse treinamento, enquanto se desenvolve um alicerce para o serviço, está compreender como cultivar uma vida mais profunda e íntima com Deus. Como pais, os homens e as mulheres de fé amadurecem nessas coisas. Desenvolvem-se como líderes dispostos a supervisionar as necessidades da igreja como um todo, bem como a ministrar a outros crentes individuais ao seu redor.
Da perspectiva de um pai
Tenho oito filhos, com uma diferença de 22 anos entre o mais velho e o mais novo. Neste momento, tenho quatro adolescentes. Essa tendência ainda continuará por vários anos! Alguns estão perto de concluir o ensino médio, enquanto outros ainda não se estabeleceram na vida adulta. Não estamos com pressa, mas oramos constantemente para que eles obtenham a educação necessária que lhes permita encontrar um bom emprego, para que, por sua vez, possam cuidar da própria família. Como pais, desejamos mais para eles do que qualquer outra pessoa.
Deus, como o nosso “Pai”, igualmente deseja que avancemos para a plena maturidade. A maturidade ressoa com um senso de realização quanto ao que Deus projetou para as nossas vidas. O terceiro estágio do desenvolvimento espiritual é diferente do hinduísmo, cujos homens mais espirituais se desligam da família e do mundo “real”, passando o resto da vida em busca de iluminação espiritual. Muito pelo contrário: o crente cristão maduro busca maior intimidade com Deus para poder se engajar devidamente no serviço aos outros.
As pessoas do mundo talvez sirvam apenas para receber uma recompensa financeira ou emocional. O povo de Deus serve porque foi tomado de gratidão a Deus pela Sua obra em suas vidas. Eles buscam agradá-Lo e cuidar dos outros. Alguns cristãos são chamados a pastorear, mas todos os crentes foram feitos para crescer cuidando dos outros. Os pastores equipam a todos para servir (Efésios 4:11-12).
Com um coração para servir
Como a nossa perspectiva de serviço afeta as nossas vidas? A visão do serviço deve estar profundamente integrada à mente e ao coração do crente. Esse é um grande desafio nas várias sociedades da terra, onde os que estão em posição de autoridade sentem que agora é a hora de serem servidos. Esse egoísmo é sutil, mas muito real no nosso mundo pósmoderno. Aguardamos ansiosos a aposentadoria, quando poderemos nos entregar aos nossos próprios prazeres, sem nenhum senso de responsabilidade pelos outros.
Paulo repreendeu os que se concentram na própria espiritualidade sem se importar com os outros: “Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento.” (1 Coríntios 14:20).
Aprendendo a treinar com eficácia
Como treinadores, precisamos observar cuidadosamente o que os que estão ao nosso redor necessitam e fornecer o treinamento especializado que for preciso. Algumas igrejas procuram programas de discipulado. Os programas normalmente são rígidos e engessados, muitas vezes sem espaço para a condução e a contribuição individuais de Deus. Bons recursos são importantes, mas é preciso passar tempo com os indivíduos, para ver como o Senhor está conduzindo cada pessoa. Muitos recursos, como seminários de treinamento em vídeo, podem ser utilizados, mas devemos sempre incluir também momentos especiais a sós diante do Senhor.
Ainda esta manhã, durante o meu tempo devocional, antes de escrever isto, eu estava buscando o Senhor a respeito dos preparativos para uma viagem de treinamento ao exterior. O Senhor me impeliu a escrever um bilhete a alguns irmãos de lá para esclarecer algumas questões. Quando cheguei ao computador, a questão havia sido confirmada por um e-mail do nosso coordenador local, dizendo exatamente a mesma coisa. Deus tocou o meu coração e depois o confirmou. A decisão tinha exigências financeiras, mas, como Deus estava nela, posso confiar que Ele suprirá a necessidade. Assim, a minha fé foi edificada para coisas maiores. A
maioria dessas lições do coração é aprendida em particular, com o Senhor.
Os objetivos para os crentes maduros
Treine os crentes maduros a:
- Buscar intimidade com Deus
- Mergulhar mais fundo na Sua Palavra
- Lutar com as lutas pessoais profundas
- Perseverar quando os outros desistiram
- Crer quando os outros duvidam
- Ser puro vivendo numa sociedade impura
- Demonstrar o amor de Deus servindo os outros
- Confrontar os outros com bondade, quando necessário O crente genuíno jamais ousa parar de crescer. Crescemos no nosso relacionamento com Deus, aspirando a ser como Jesus e a servir melhor os outros. Como treinadores ou mentores, estamos sempre olhando para Deus, buscando a melhor forma de promover o desenvolvimento em uma ou mais áreas das nossas vidas.
Lições
- Os crentes deveriam sonhar em ser espiritualmente “crescidos”, podendo estar perto de Deus e ser capacitados por Ele para servir os que estão ao seu redor.
- Deus quer, sim, dar fruto por meio das nossas vidas. Isso acontece, em grande parte, à medida que os crentes espiritualmente maduros veem o Espírito de Deus operando maravilhosamente através das suas vidas.
- O nosso treinamento precisa não apenas incutir essa visão completa no crente, mas equipá-lo a permanecer perto de Deus e a servir os outros.
Memorize e Medite
1
Coríntios 14:20
Tarefa
- Você é um crente maduro? Que evidências você tem para sustentar a sua resposta?
- Que desafios você tem para permanecer perto de Deus?
- Você já experimentou o “esgotamento”, quando a pessoa se sente espiritualmente seca e incapaz de servir como antes? Como você lidou com isso? Como você aconselharia outra pessoa a lidar com essa situação?