O Núcleo da Vida — Mirando com Cuidado

O Núcleo da Vida · Capítulo 25

Mirando com Cuidado

Paul J. Bucknell

Como professores e mentores, metade do nosso problema é saber o que ensinar; a outra metade é motivar os nossos alunos a aprender. Em todo caso, porém, o tempo limitado moldará o nosso desafio de treinar os outros com eficácia.

O plano de vida de Deus para o nosso crescimento espiritual está sempre em andamento, logo abaixo da superfície. Podemos confiar que Ele realizará a Sua parte com eficácia. Mas será que ele é poderoso o suficiente para se contrapor às forças cada vez mais diabólicas do mundo? Claro que é. O problema reside na igreja, que não está realizando devidamente a tarefa que lhe foi dada.

Ganhando perspectiva

Precisamos repensar a maneira como treinamos o nosso povo, tanto nos contextos educacionais formais, como o seminário e a igreja, quanto nas situações informais de treinamento, como em casa ou no um a um. Só quando nos tornarmos mais estrategicamente focados conseguiremos ter sucesso. Os nossos métodos do passado não estão desenvolvendo com eficácia o povo e os líderes de Deus. As águas vivas não estão fluindo em abundância. Muitos líderes reclamam que não têm um número suficiente de líderes, enquanto os que têm, muitas vezes, se queixam dos problemas desses líderes.

Ilustração do capítulo 25: Mirando com Cuidado

Muitos professores começam com grande expectativa, mas depois desistem. O problema, porém, não é se os nossos alunos podem ser vitoriosos. João diz que o povo de Deus é vencedor, mesmo sendo crentes jovens! Você consegue ver essa fé que energiza e direciona o professor e o aluno? Em muitos casos, porém, os alunos não possuem essa fé. Nessas situações, a fé do professor tem de ser suficiente para ele mesmo e para o aluno.

Pense numa turma de novos alunos. Qual é o nível de crescimento deles em caráter, conhecimento e habilidades? O professor precisa tomar os objetivos do curso e dividi-los em componentes ensináveis — geralmente em períodos de aula individuais.

Como o tempo com os alunos é tão limitado, precisamos escolher com cuidado os nossos temas e materiais de curso. O que podemos presumir que é verdade a respeito dos alunos? Até onde eles progrediram? Onde deveriam estar ao final do curso? Ou, num contexto maior: onde os membros deveriam estar após cinco anos na igreja, ou em que nível os alunos deveriam estar na formatura?

Não é bom aprender sobre a Bíblia?

Presumimos que um bom conhecimento da Bíblia é suficiente para os alunos que ingressam no ministério em tempo integral. Sem dúvida, isso é verdade. Então os professores se ocupam em montar os seus cursos, como Introdução ao Antigo Testamento e Introdução ao Novo Testamento. Conforme o tempo permite, disciplinas específicas, como Evangelho de João etc., são acrescentadas.

Isso é bom, mas é o melhor? Quando olhamos para as necessidades gerais do aluno, isto é, a necessidade de conhecimento bíblico, faz muito sentido. Conheci um evangelista indiano que apanhou porque não conseguiu explicar por que a Bíblia não explica de onde veio o grande número de pessoas nos primeiros capítulos de Gênesis.

Sei que existem, nas nossas escolas bíblicas, habilitações pastorais, ou ênfases em missões, juventude ou aconselhamento, mas elas tratam do que faremos, e não de quem somos. O Núcleo da Vida desafia essa perspectiva, porque exige um exame mais profundo do que o aluno precisa aprender e de como ele aprende. Somente ao identificarmos

como Deus treina poderemos coordenar com eficácia os nossos métodos com os dEle.

O nosso objetivo não é criticar o treinamento ao nosso redor. Muitos foram grandemente ajudados pelos cursos que fizeram, inclusive eu. Precisamos urgentemente, porém, aguçar a nossa visão. Os nossos objetivos, em geral, estão certos, mas estão desconectados dos principais meios e propósitos de treinamento de Deus.

O ajuste fino da mente

Continuando a usar o exemplo das aulas bíblicas básicas, precisamos de objetivos maiores do que apenas adquirir conhecimento bíblico. Eis algumas considerações:

Assim neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: De fato ouvireis, mas não entendereis; De fato vereis, mas não percebereis. Porque o coração deste povo está insensível; Com seus ouvidos dificilmente ouvem, e seus olhos fecharam; A fim de não haver que seus olhos vejam, seus ouvidos ouçam, Seus corações entendam, e se arrependam, E eu os cure. (Mateus 13:14-15).

Não devemos presumir que o conhecimento bíblico, por si só, nos ajudará, quando muitas vezes ele faz o oposto. O melhor dos leites pode azedar. A menos que os nossos alunos “entendam com o coração e se convertam” ao Senhor, não haverá cura nem aprendizado genuínos.

Não é esse um dos principais problemas das nossas igrejas? A Palavra não é pregada para transformar, mas para entreter. As pessoas perderam a confiança de que a Palavra de Deus pode mudar, ou de que deve produzir mudança real, em suas vidas. O momento típico de culto não está conduzindo o povo de Deus a uma vida santa. Será porque não entraram na presença de Deus, nem ouviram a Palavra de Deus? Muito mais precisa acontecer debaixo da superfície para preparar devidamente o coração do povo de Deus.

Lições

Memorize e Medite

Mateus 13:14-15

Tarefa