O Núcleo da Vida — Superando o Abismo

O Núcleo da Vida · Capítulo 26

Superando o Abismo

Paul J. Bucknell

A educação ocidental deposita a sua confiança no conhecimento. Os cristãos precisam refutar essa abordagem da educação, especialmente da educação teológica. Somos compelidos por um objetivo maior: liberar o poder da Palavra de Deus na vida das pessoas.

A desconexão desconcertante

A desconexão entre o treinamento teológico e o ministério eficaz continua enorme. Os que se formam dificilmente estão prontos para o que os espera. A solução do mundo para esse problema é exigir mais educação. Mestrados e doutorados agora são lugar-comum, e a velha suposição de que o conhecimento, por si só, é tudo o que se precisa não mudou.

É claro que muito pode ser dito a favor do esforço para obter esses títulos. A autodisciplina, por si só, é uma grande recompensa, mas precisamos começar a puxar a cortina e olhar para os bastidores. Ousamos perguntar se os nossos alunos estão prontos para a vida e o ministério? Na maioria dos casos, não estão.

A nossa abordagem educacional presume que, com o conhecimento certo, o homem passará a fazer grandes coisas. Isso é um desdobramento do humanismo. O conhecimento é parte da equação, mas não é o todo. Há elementos mais importantes, incluindo a formação espiritual, que precisam acontecer em nossas vidas cristãs.

Ilustração do capítulo 26: Superando o Abismo

A confiança no conhecimento muitas vezes nos distancia das pessoas, em vez de nos conectar. A maturidade espiritual é erroneamente equiparada ao treinamento teológico, mas está longe disso. Quando há ênfase no conhecimento, sobra pouco tempo para desenvolver o coração e as habilidades ministeriais para viver vidas piedosas e servir com eficácia. Por exemplo, aprendemos sobre o campo da alta crítica, mas temos pouco tempo para aprender a deixar que Deus nos ensine por meio da Palavra, para que possamos ensinar os outros.

Ficamos contentes em ouvir sobre as exceções, mas, no geral, os nossos futuros líderes de igreja estão sendo treinados de forma inadequada, a um grande custo financeiro. Essas coisas, sem dúvida, contribuem para que metade de todos os seminaristas abandone o ministério depois de cinco anos. 6

Por que o fracasso?

Por que toda essa confusão e esse fracasso? Será porque a Palavra de Deus falhou? Ou será possível que a Palavra de Deus não tenha penetrado nos nossos corações? Ou não recebemos o treinamento necessário para ministrar devidamente nas igrejas?

O apóstolo Paulo conclui que a razão da pouca fé é que a Palavra de Deus não alcançou os ouvidos do ouvinte. Na parábola do Semeador, porém, Jesus leva esse pensamento mais fundo. Ele diz que o povo de Deus não está aprendendo devidamente porque o seu coração não está preparado para receber.

E se mudássemos o nosso foco para preparar o coração desses alunos, para que eles possam adquirir devidamente a Palavra de Deus? Eles precisam aprender a ganhar fé na Palavra de Deus, em vez de simplesmente lê-la como uma tarefa, ou de estudar apenas o que outras pessoas dizem sobre a Bíblia.

6 Pastor for Life, de Ivan Charles Blake. As estatísticas variam bastante, mas certamente há problemas no sistema: www.ministrymagazine.org/archive/ 2010/07-august/pastor-for-life. Talvez a taxa não seja tão alta (into-action.net/ research/many-quit-estimating-clergy-attrition-rate/), mas ainda assim nos preocupa muito. Veja também o seminário Initiating Spiritual Growth in the Church (Discipulado nº 3): www.foundationsforfreedom.net/Help/Store/Intros/ DLibrary-D3.html.

Falta de fé

Durante os meus estudos, um professor de Antigo Testamento disse à minha turma: “Esta talvez seja a única vez na vida que vocês lerão o Antigo Testamento”. Considere com cuidado o que ele, erroneamente, ensinou:

À medida que os alunos começam a se arrastar pelas leituras do Antigo Testamento, passarão a temê-lo cada vez mais. Não há chance de a fé deles crescer num cenário assim. O professor sabe, porém, que essa disciplina é “importante”, porque todos os alunos precisam cursá-la para se formar.

Alguns professores talvez nem considerem o Antigo Testamento confiável (ao contrário de como o próprio Antigo Testamento, ou Jesus, o apresenta). Eles o ensinam como críticos, minando ainda mais a fé dos seus alunos. Outros professores creem que ele é confiável, como aquele a quem me referi, mas não criam que fosse relevante para as nossas vidas e ministérios.

Esses mesmos tipos de coisas acontecem repetidamente sempre que um pregador simplesmente prega um sermão. Sem primeiro ser remodelado pela Palavra da verdade, o pregador carece da fé radiante necessária para proclamar a sua relevância.

Uma fé abundante

Jesus ensinava o Antigo Testamento de uma maneira completamente diferente. Ele viveu uma vida piedosa tendo apenas o Antigo Testamento. Citou o Antigo Testamento quando foi tentado, e a Sua fé na Palavra de Deus O protegeu. Jesus compreendeu, por meio do Antigo Testamento, o que Deus, o Pai, tinha para a Sua vida.

E depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. E o tentador se aproximou dele, e disse: Se tu és o Filho de Deus, dize que estas pedras se tornem pães. Mas Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o ser humano, mas de toda palavra que sai da boca de Deus. (Mateus 4:2-4).

A importância de reavaliar os nossos métodos

A importância de reexaminar o nosso processo e conteúdo de aprendizagem nunca foi tão urgente. O professor precisa ir além de entregar conteúdo e prestar muita atenção à fé necessária para edificar a fé dos alunos naquela área específica. Essa fé está diretamente relacionada a alcançar os objetivos que Deus tem para nós.

Há uma razão para o povo de Deus, ao redor do mundo, ter parado de crescer. O povo de Deus está sendo treinado para se contentar com o conhecimento, em vez de ver Deus cumprir os Seus objetivos.

Se vamos ter sucesso em nos conectar aos propósitos e ao poder de vida de Deus, precisamos refutar a alegação de que o conhecimento pode,

por si só, resolver o problema. Precisamos que a Palavra de Deus opere ativamente em nossas vidas.

A maioria dos alunos sai da escola bíblica ou do seminário confiando no seu conhecimento, e não em Deus. Felizmente, Deus pode agir, e age, por meio dos nossos sistemas, fazendo algum bem através deles; mas o que aconteceria se esperássemos que os alunos fossem transformados para agir e ministrar como Jesus? O nosso Senhor, no céu, está esperando que acertemos o nosso treinamento, pelo bem das Suas ovelhas e pela honra do Seu Nome.

Lições

Memorize e Medite

Mateus 4:4

Tarefa